O Tesouro Direto é o programa do governo federal que permite que pessoas físicas invistam em títulos públicos pela internet. É considerado o investimento mais seguro do Brasil — mais seguro até do que os bancos — porque é garantido pelo governo federal.
O que são títulos públicos
Quando o governo precisa de dinheiro para financiar seus gastos, ele emite títulos de dívida. Quem compra esses títulos está essencialmente emprestando dinheiro ao governo, que se compromete a devolver o valor com juros no prazo acordado.
O Tesouro Direto é o canal que democratizou o acesso a esses títulos. Antes dele (criado em 2002), apenas grandes investidores tinham acesso direto. Hoje qualquer pessoa com R$ 30 pode comprar.
Os principais títulos disponíveis
Tesouro Selic (LFT)
Rende conforme a taxa Selic — a taxa básica de juros da economia brasileira. É o título mais conservador e mais líquido do Tesouro Direto.
Quando usar: reserva de emergência ou como alternativa ao CDB de liquidez diária. É ideal quando você não quer correr risco de variação de preço.
Tesouro IPCA+ (NTN-B)
Rende a inflação (medida pelo IPCA) mais uma taxa de juros real prefixada. Por exemplo: "IPCA + 6,5% ao ano" significa que você vai ganhar a inflação do período mais 6,5% reais.
Quando usar: metas de longo prazo (aposentadoria, compra de imóvel), quando você quer garantir poder de compra real ao longo dos anos.
Tesouro Prefixado (LTN)
Rende uma taxa de juros fixa definida no momento da compra. Você sabe exatamente quanto vai receber no vencimento.
Quando usar: quando você acredita que a Selic vai cair no futuro e quer travar a taxa atual. Tem volatilidade de preço se precisar vender antes do vencimento.
Como a tributação funciona
O Tesouro Direto tem imposto de renda na fonte, com alíquota regressiva:
- Até 180 dias: 22,5%
- De 181 a 360 dias: 20%
- De 361 a 720 dias: 17,5%
- Acima de 720 dias: 15%
Também há IOF para resgates em menos de 30 dias, com alíquota que cai progressivamente do dia 1 ao dia 30.
A taxa de custódia da B3 é de 0,20% ao ano para valores acima de R$ 10.000.
Como começar
Passo 1: abra conta em uma corretora ou banco que ofereça o Tesouro Direto. XP, Rico, Clear, BTG, Nubank e a maioria dos bancos digitais têm acesso gratuito.
Passo 2: acesse a plataforma e vá até a seção de Tesouro Direto.
Passo 3: escolha o título que faz sentido para sua situação e o prazo. Para começar, o Tesouro Selic é a opção mais simples e segura.
Passo 4: defina o valor. O mínimo é em torno de R$ 30 (um centésimo do valor nominal de cada título).
Passo 5: confirme a compra. O rendimento começa a acumular imediatamente.
Tesouro Direto vs. poupança vs. CDB
Em momentos com Selic acima de 8,5% ao ano (que é o caso desde 2021), a poupança rende menos que o CDI. O Tesouro Selic e os CDBs de boa qualidade superam a poupança de forma consistente.
Entre Tesouro Selic e CDB de banco digital, a diferença é pequena no curto prazo. O CDB pode render levemente mais (110% do CDI vs. ~100% do CDI do Tesouro Selic), mas o Tesouro tem garantia soberana. Para a reserva de emergência, ambos funcionam. Para valores maiores e prazos mais longos, o Tesouro IPCA+ costuma ser mais interessante.
O que esperar no longo prazo
Com aportes mensais regulares no Tesouro IPCA+ ou em uma carteira diversificada de renda fixa, é possível construir um patrimônio significativo ao longo de décadas. A fórmula não tem segredo: disciplina nos aportes, reinvestimento dos rendimentos e paciência.
O Tesouro Direto não vai te enriquecer da noite para o dia — mas é a base sólida sobre a qual um patrimônio real é construído.