Se você compra ações ou FIIs ao longo do tempo — em aportes mensais, por exemplo — vai rapidamente perceber que cada compra acontece a preços diferentes. A ação que você comprou em março estava a R$ 20; em julho, comprou mais a R$ 24. Quanto você pagou de verdade? A resposta está no preço médio.
O que é preço médio
O preço médio de compra (também chamado de custo médio ou PM) é a média ponderada dos preços de todas as compras de um ativo, considerando a quantidade adquirida em cada operação.
É o número que você usa para calcular se está com lucro ou prejuízo em uma posição — e é fundamental para o cálculo correto do imposto de renda sobre ganhos de capital.
Como calcular
A fórmula é simples:
Preço médio = Total investido ÷ Quantidade total de ativos
Exemplo:
- Compra 1: 100 ações a R$ 20,00 = R$ 2.000
- Compra 2: 50 ações a R$ 24,00 = R$ 1.200
Total investido: R$ 3.200
Quantidade total: 150 ações
Preço médio: R$ 3.200 ÷ 150 = R$ 21,33
Se hoje a ação está a R$ 22, você tem lucro de R$ 0,67 por ação — não de R$ 2,00 (preço atual menos a segunda compra) nem de R$ 2,00 a menos (pensando só na primeira compra).
Como as vendas afetam o preço médio
Vendas parciais não alteram o preço médio — elas apenas reduzem a quantidade. O preço médio permanece o mesmo até que você faça novas compras.
Mas o lucro ou prejuízo de cada venda é calculado em relação ao preço médio. Se você vendeu 50 ações a R$ 25 e seu PM era R$ 21,33, o lucro por ação foi R$ 3,67.
Compras adicionais reduzem o PM quando o preço cai
Isso é o que muitos investidores chamam de "baixar o preço médio" ou fazer "aporte na queda". Se a ação que você comprou a R$ 20 caiu para R$ 15 e você compra mais, o novo preço médio fica entre os dois valores.
Exemplo:
- Posição original: 100 ações a R$ 20 = R$ 2.000
- Nova compra: 100 ações a R$ 15 = R$ 1.500
Total investido: R$ 3.500
Quantidade total: 200 ações
Novo PM: R$ 3.500 ÷ 200 = R$ 17,50
Se a ação se recuperar para R$ 18, você já estará com lucro — mesmo a ação ainda estando abaixo dos R$ 20 originais.
Quando baixar o PM é uma boa estratégia — e quando não é
Fazer aportes adicionais numa ação que caiu faz sentido quando:
- Você analisou a empresa e continua confiante nos fundamentos.
- A queda foi causada por fatores externos temporários, não por deterioração do negócio.
- O aporte adicional está dentro da sua alocação planejada.
É uma estratégia arriscada quando:
- Você está comprando mais só porque caiu, sem entender por quê caiu.
- A empresa está em processo de deterioração fundamentalista.
- Você já está com uma concentração muito alta nesse ativo.
O PM e o imposto de renda
Para fins de declaração de IR, o preço médio é o custo de aquisição oficial. A Receita Federal espera que você calcule o lucro (ou prejuízo) de cada operação de venda usando o PM — não o preço da última compra ou qualquer outro número.
Por isso é importante manter um registro preciso de todas as operações de compra e venda, com datas e valores. A maioria das corretoras disponibiliza esse histórico, mas a responsabilidade do cálculo correto é do investidor.
Ferramentas para acompanhar
Plataformas como o Kinvo, o Status Invest e a própria corretora calculam o PM automaticamente. Mas entender o cálculo por trás do número é importante: te dá independência para validar se os valores estão corretos e para tomar decisões de compra e venda mais fundamentadas.